A caça

Para quem nada sabe, vê apenas uma terra árida, um homem com uma ave. Treinada para fazer para ele o que nasceu para fazer para si. Esta é a realidade quando não há história, mas hoje peço licença para tornar a imagem um sentimento.

Não contarei uma história com heróis e bandidos, pois conto a realidade e nela, não é possível dissernir o bem do mal.

Conto primeiro a história de um casal, um homem zeloso, preocupado com o futuro, prepara seu ninho e procura uma parceira, a qual terá ao seu lado por toda a vida. Juntos constroem um lar e tem dois filhos, os quais a duras penas tentam sustentar. O pai passa a maior parte do dia fora, para que tenham alimentos, a mãe protegendo os filhos.

Do outro lado vemos fome e caça, habilidade e fragilidade, um pai ensinando seu filho a sobreviver no mundo em que nasceu, em sua cultura. A hora de mostrar seu valor se aproximava, e nosso homem precisava se tornar um homem.

Medo e coragem, subiram com cuidado, pernas trêmulas, mãos suadas; cientes de que um escorregão levaria a morte. Uma escalada interminável para conquistar uma posição, um status. Garantir a vida.

Uma distração e o casal de amantes, o pai zeloso e sua parceira , perdem mais um filho.

O rapaz rapidamente o colocou em um saco e desceu. Desceu em velocidade dobrada. Um deslize, o fez recuperar a atenção. Mas na sacola estava sua vitória, sua honra, sua prova acima de tudo, para si mesmo, de sua força. Agora era um homem… será?

Esta foi apenas a primeira tarefa, a mais perigosa, sim, mas ainda a mais fácil. Possuia o falcão, mas agora precisava treina-lo.

Dias e meses, sem sucesso. Se o falcão não aprendesse a voar como deveria, a caçar como deveria, não passaria de um estorvo. As saudades da família apertavam, o treino seguia.

Ao longe o filho, humano, homem, caçador, observava sua caça viva, sentindo na ponta de suas asas a direção a seguir, sentia cada mudança da brisa, a umidade na aridez, aprendiam como se fossem um.

Então, como se feito do próprio vento, os olhos focaram, as asas, no ar, sentiram o caminho a ser cruzado e em um mergulho, em suas garras estava a presa. Uma presa dois caçadores, a mesma vitória.

Caçadores agora partilhavam as mesmas batidas em emoção, o mesmo sangue de vitória.

O falcão, agora tranquilo, soava como para sua mãe, o homem, agora um homem completo. Em uma relação em que hora pai, hora filho, estava ciente de que nenhum humano lhe ensinaria sobre esta mãe, que lhes dava água e alimento, que formava tempestades e brisas suaves nas quais planava seu companheiro, capaz de se mover no ar como o vento, ser o maior dos predadores e voltar para o frágil mas confiante humano/homem, simplesmente por saber que seus braços sempre serão o galho mais seguro para se pousar.

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As vezes damos o passo mais difícil, cansados e felizes com a conquista. Esquecemos que devemos continuar a caminhar para atingir.

As vezes nos achamos fortes, queremos viver a liberdade, as aventuras, mas sem um porto seguro, nos cansamos, nos desiludimos e pouco a pouco perdemos o eixo, o brilho.

As vezes simplesmente não paramos para sentar e aprender com quem está aqui há tantos anos e tem em sua terra a matéria e conhecimento de gerações de vidas.

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Um comentário em “A caça

  1. História bonita, mostra o quanto se deve amadurecer em casa fase de sua vida. Da infância, até a velhice, todos precisamos achar nossas motivações, nossos caminhos. Passamos por inúmeros caminhos áridos, para nos vermos persistir. Mas nada disso é conquistado se não tivermos um objetivo. Então amizades que colecionamos durante nossa vida, e sobretudo a família que nos viu crescer estão lá para nos apoiar e nos ensinar novamente, a nos fazer ver nossos caminhos e objetivos.

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