A Dança

Saltando de um ponto para o outro, agitando suas formosas vestes em um belo contraste de preto e branco, ora se aproxima, ora se afasta em uma dança de exibição e leveza.

Na platéia daquele espetáculo ela o observa, parecendo interessada em qual será a próxima cena da apresentação. Naquele momento ela não está preocupada com casos passados, não se preocupa com casos futuros. Apenas o observa em seus movimentos firmes e suaves, dignos de alguém com quem ela gostaria de estar.

A cada movimento de sua dança ele se aproxima mais, não quer ser indelicado a ponto de arriscar chegar perto demais e assustá-la. Quer conquistá-la, quer que sua dama o queira por perto. Sempre.

Quando estão a um bico de distância ambos se observam, o tempo parece parar enquanto uma eternidade se passa brevemente. Os dois olhos negros ficam frente a frente cientes de que ainda que haja milhares de outros olhos como aqueles no mundo, não são eles que os dois desejam.

Não estão preocupados se merecem um parceiro melhor, ou se são bons o suficiente. Têm uma vida sem comparações em que sabem que aquele a sua frente possui todas as graças de que precisam, se algum outro tiver mais graças, de que lhes importa?

Um salto coordenado

Uma troca de lugares nos galhos

Um bater de asas tão rápido quanto o bater de seus pequenos corações.

Está selado o casamento que não precisa de papéis, acordos, partilhas. Não haverá separação da família, ou amigos.

A única partida que conhecerão será a das longas viagens que farão juntos. Conhecendo paisagens, revisitando lugares e talvez cantando em sua janela, junto da parceira escolhida, uma canção alegre digna do vôo da andorinha.

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