A espera de um milagre – A procrastinação

Essa palavra feia que eu arriscaria dizer simplesmente não existia há alguns anos parece ser atualmente, junto ao estresse e depressão um dos maiores problemas da sociedade moderna. Não faltam páginas para indicar o que ela é e como te prejudica, mas faltam páginas que te orientem a fugir dela.

Não sou psicóloga, mas tenho uma vasta experiência em procrastinação e ela me diz:

 

TODA VEZ QUE PROCRASTINO ALGO É PORQUE NÃO QUERO FAZER ALGO QUE NÃO GOSTO

Ou seja:

Se tenho que estudar e arrumar o quarto, vou arrumar o quarto.

Se tenho que estudar e correr/ir a acadêmia, vou por a legging e correr.

Se tenho que estudar e fazer bolo, faço bolo.

 

Enfim, não gosto de estudar! E já me tornei uma artista para não estudar. O mais incrível da procrastinação que ninguém fala é a incrível capacidade de nos fazer, fazer coisas!

 

SUGESTÃO

Descubra o que está procrastinando:

A forma mais fácil é ver para onde costuma a fugir mais, se acessa o facebook uma vez por minuto, pare e reflita: o que havia pensando antes de pegar o celular? Provavelmente é disso que está fugindo.

Segundo passp:

Questione-se porque precisa fazer o que não gosta. É para atingir um objetivo que gosta? Esse objetivo vale mesmo tanto a pena?

Se a resposta foi sim recomendo:

  • Escreva ou tenha um símbolo do seu objetivo maior em algum lugar que possa ver e lembrar ao longo do dia.
  • Se obrigue a fazer as coisas que gosta até que aquilo se torne tão chato quanto o que está procrastinando, no meu caso seria, arrumar a casa o dia inteiro, no final do dia a vontade de estudar surge naturalmente.

Se a resposta for não, aborte a missão e vá fazer algo que gosta já de primeira. E nada de virar hippie se tiver menos de 40, guarde dinheiro para sua terceira idade, isso será importante se chegar a ela.

 

Agora um motivo que não vejo muito falarem é a causa real desse texto e uma das maiores fontes de minha procrastinação atualmente:

 

TODA VEZ QUE PROCRASTINO ALGO É PORQUE ESTOU A ESPERA DE ALGUMA COISA

Vago não?

Na prática fica assim:

Preciso estudar, gosto de estudar e não estou estudando. O celular parece mais interessante, tudo no celular parece mais interessante, inclusive a matéria de 2013 sobre uma mulher de 3 peitos.

Não estou fazendo o que gosto e troquei ainda por algo que não fede nem cheira.

Muitos fazem isso com grande freqüência, vão longe na internet em busca de aparentemente nada.

Eu diria que estão a espera de um milagre.

Esperamos as vezes a mensagem de um amigo (a) especial

Esperamos ser uma pessoa que não somos

Esperamos que nos tornemos mais fortes e determinados do que somos

Esperamos que a solução apareça no próximo clique.

 

Essa é a procrastinação mais perigosa, que no fundo eu diria que está associada a primeira com base em algo que acredito:

NÃO GOSTAMOS DAQUILO QUE NÃO SABEMOS POR ONDE COMEÇAR.

O que não tem começo, o desconhecido, gera medo, o medo gera a fuga e aí está a base da nossa procrastinação.

Isso vale para o amor não correspondido que não sabemos onde enfiar o que sentimos nem como gerar isso em quem amamos

Vale para a prova de Calculo quando vemos a prova chegar e ainda estamos confusos com a lógica de uma equação.

 

A solução afinal é encontrar um começo que te seja agradável e ir por partes para enfrentar o monstro, ou aceitar, que nem toda a batalha se vence.

 

Meu lado hippie esquerdista conspiratório acredita que na verdade o problema não seja a palavra em si, mas o sistema que obriga as pessoas a sempre terem que fazer algo produtivo em um espaço em que sobram improdutividades a serem praticadas e estou me referindo diretamente às redes sociais, mas posso agregar a isso, o shopping, blogs, conhecimento inútil, que podem trazer prazer pessoal, mas salvo poucos casos, não ajudam em nada a sociedade/capitalismo a se desenvolver.

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Grupos: Ovelhas negras ou patinhos feios?

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Desde a nossa infância somos orientados a termos grupos de amigos, eles vão nos proteger nas brigas, vão formar o time de futebol, vão acobertar os pequenos delitos.

Através de grupos nos protegemos, através de grupos atacamos.

Com o tempo, ter um grupo se torna mais do que apenas proteção, mas status. É necessário ser de um grupo, religioso, politico, cultural, social. Uma pessoa com vários grupos de amigos é bem vista, se torna alguém “desejado pela sociedade”, suas publicações nas redes são sempre em festas, bares, churrascos e são freqüentes, o que a torna ainda mais popular.

Estar sozinho é ser a ovelha negra, aquela que se desgarra do bando por ser diferente, aquele que se sente excluído, que quer partilhar ideias das quais ninguém partilha, é sair com um amigo e correr o risco de em algum momento ouvir aquele silêncio desconfortante em que ninguém sabe o que dizer. É ter tempo para poder ver no olhar do seu amigo que ele não está bem e saber que apenas você pode fazer algo para ajudá-lo.

Mas questiono, isso pode ser desconcertante se ainda temos medo, mas é tão ruim?

Quando estamos a sós com um amigo podemos falar dos nossos sentimentos mais profundos sem interrupções, sem segundas, terceiras e quartas opiniões. Você tem apenas os sinais do seu amigo para ler e sabemos, que a comunicação entre humanos está muito além das palavras, compreende-lo então se torna mais fácil. E então quando o silêncio surge em sua conversa ele se torna uma palavra de amor que diz “sua presença basta para me fazer bem”.

O silêncio no entanto que mais desconforta é aquele que temos quando estamos de fato sozinhos, quando conquistamos algo ou perdemos algo e queremos dividir com alguém, olhamos em volta e estão todos ocupados com seus afazeres.

Esse silêncio machuca e nos diz uma infinidade de coisas, todas negativas: você está sozinho, não é amado, é estranho, ninguém quer ouvir você.

A solução desta questão está na identidade e segurança. Se você conseguir se identificar e assim ter segurança de quem é terá a mente livre para a criatividade, para ser diferente sem medo de se sentir sozinho.

Somos seres sociais, não vou negar, mas precisamos antes de sermos sociais, apenas sermos.

A aceitação dos outros vai trazer alegria, mas sentirá um vazio assim que a platéia se afastar e você sentir que está só novamente. 

Talvez enchendo sua vida de afazeres não sinta esse vazio, mas prefiro apostar em um mundo de pessoas solitárias que sabem se relacionar em sociedade. Neste mundo haverá espaço para a criatividade sem críticas, para se sonhar, cientistas malucos serão apenas cientistas, os diferentes não serão excluídos eles farão a diferença, poderão expor suas ideias que serão apenas ideias não “maluquices”.

Acredito que muitos solitários são patinhos feios, se vêem diferentes dos demais e querem pertencer a um grupo, quando na verdade são lindos cisnes, quando tiverem sua própria segurança e suas asas puderem sustentá-los serão livres para voar para onde quiserem, seus pensamentos poderão fluir com o vento, se unir a outros pensamentos livres e construir um mundo menos superficial e inseguro.