Filmes para a Vida

Quando iniciei a faculdade fiz uma disciplina optativa de cinema.

Gentilmente o professor nos ofereceu uma lista de filmes que saiam dos clássicos como “O Vento Levou”, “Girassóis da Rússia” ou “Dr. Zhivago” e também não tendia aos que ouvimos falar com mais frequencia, como as animações, “Harry Potter”, “Senhor dos Anéis”, “Star Wars”, “Jogos Vorazes”…

Nada contra esses filmes, pelo contrário, gosto muito, mas há outros filmes às vezes menos falados, mas essenciais para nossa vida!

No link abaixo terão acesso à lista dos filmes:

Filmes para a Vida

Inseri uma coluna para que possam avaliar conforme queiram e para indicar se já viram ou não. Está com as avaliações dos que já assisti.

Espero que gostem e aproveitem!

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Sapatos Amados – Refazendo-os

Olá!

Sou uma pessoa muito apegada a alguns sapatos que tenho e muito inconformada com o fato de durarem tão pouco. Como há trabalhos que nem sapateiros resolvem ponho a mão na massa.

O caso abaixo serve para todo o tipo de sapato que o revestimento começa a sair, geralmente são imitações de couro/nobuck que depois de uns 2 anos começa a descamar.

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O que deve fazer:

  1. FORRAR COM JORNAL e descascar todo o “couro” do tecido: usei a escova da minha gata para isso, ela não pareceu se importar. Mas pode usar algum outro material abrasivo que encontre na sua casa, veja apenas se as cerdas não vão danificar o tecid que fica por baixo.img_2971

2. Pintar com tinta de tecido: pintar com tinta de tecido é quase a mesma coisa que guache, só tomem cuidado com a roupa! O pé que está masi pretinho é o que já pintei, da para ver que está umido na parte superior. O pé branquinho é o que ainda precisa de uma pintura.

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3. Espere secar

4. Passe mais uma mão de tinta se verificar que ainda há manchas

Fim! bota novinha e parcialmente impermeável, a tinta de tecido não deixa muito a água passar.

A espera de um milagre – A procrastinação

Essa palavra feia que eu arriscaria dizer simplesmente não existia há alguns anos parece ser atualmente, junto ao estresse e depressão um dos maiores problemas da sociedade moderna. Não faltam páginas para indicar o que ela é e como te prejudica, mas faltam páginas que te orientem a fugir dela.

Não sou psicóloga, mas tenho uma vasta experiência em procrastinação e ela me diz:

 

TODA VEZ QUE PROCRASTINO ALGO É PORQUE NÃO QUERO FAZER ALGO QUE NÃO GOSTO

Ou seja:

Se tenho que estudar e arrumar o quarto, vou arrumar o quarto.

Se tenho que estudar e correr/ir a acadêmia, vou por a legging e correr.

Se tenho que estudar e fazer bolo, faço bolo.

 

Enfim, não gosto de estudar! E já me tornei uma artista para não estudar. O mais incrível da procrastinação que ninguém fala é a incrível capacidade de nos fazer, fazer coisas!

 

SUGESTÃO

Descubra o que está procrastinando:

A forma mais fácil é ver para onde costuma a fugir mais, se acessa o facebook uma vez por minuto, pare e reflita: o que havia pensando antes de pegar o celular? Provavelmente é disso que está fugindo.

Segundo passp:

Questione-se porque precisa fazer o que não gosta. É para atingir um objetivo que gosta? Esse objetivo vale mesmo tanto a pena?

Se a resposta foi sim recomendo:

  • Escreva ou tenha um símbolo do seu objetivo maior em algum lugar que possa ver e lembrar ao longo do dia.
  • Se obrigue a fazer as coisas que gosta até que aquilo se torne tão chato quanto o que está procrastinando, no meu caso seria, arrumar a casa o dia inteiro, no final do dia a vontade de estudar surge naturalmente.

Se a resposta for não, aborte a missão e vá fazer algo que gosta já de primeira. E nada de virar hippie se tiver menos de 40, guarde dinheiro para sua terceira idade, isso será importante se chegar a ela.

 

Agora um motivo que não vejo muito falarem é a causa real desse texto e uma das maiores fontes de minha procrastinação atualmente:

 

TODA VEZ QUE PROCRASTINO ALGO É PORQUE ESTOU A ESPERA DE ALGUMA COISA

Vago não?

Na prática fica assim:

Preciso estudar, gosto de estudar e não estou estudando. O celular parece mais interessante, tudo no celular parece mais interessante, inclusive a matéria de 2013 sobre uma mulher de 3 peitos.

Não estou fazendo o que gosto e troquei ainda por algo que não fede nem cheira.

Muitos fazem isso com grande freqüência, vão longe na internet em busca de aparentemente nada.

Eu diria que estão a espera de um milagre.

Esperamos as vezes a mensagem de um amigo (a) especial

Esperamos ser uma pessoa que não somos

Esperamos que nos tornemos mais fortes e determinados do que somos

Esperamos que a solução apareça no próximo clique.

 

Essa é a procrastinação mais perigosa, que no fundo eu diria que está associada a primeira com base em algo que acredito:

NÃO GOSTAMOS DAQUILO QUE NÃO SABEMOS POR ONDE COMEÇAR.

O que não tem começo, o desconhecido, gera medo, o medo gera a fuga e aí está a base da nossa procrastinação.

Isso vale para o amor não correspondido que não sabemos onde enfiar o que sentimos nem como gerar isso em quem amamos

Vale para a prova de Calculo quando vemos a prova chegar e ainda estamos confusos com a lógica de uma equação.

 

A solução afinal é encontrar um começo que te seja agradável e ir por partes para enfrentar o monstro, ou aceitar, que nem toda a batalha se vence.

 

Meu lado hippie esquerdista conspiratório acredita que na verdade o problema não seja a palavra em si, mas o sistema que obriga as pessoas a sempre terem que fazer algo produtivo em um espaço em que sobram improdutividades a serem praticadas e estou me referindo diretamente às redes sociais, mas posso agregar a isso, o shopping, blogs, conhecimento inútil, que podem trazer prazer pessoal, mas salvo poucos casos, não ajudam em nada a sociedade/capitalismo a se desenvolver.

Economizar Shampoo – Dicas para dias de crise

Olá!

Este post é muito mais do que uma dica de economia, mas também de cuidado com o couro cabeludo.

Muitas vezes, principalmente para quem tem cabelos longos, a tarefa de passar shampoo em todo o cabelo se torna árdua, porque aquele liquido cremoso parece ir para todos os lugares, menos onde você precisa dele. Isso resulta em acumulo de shampoo em algumas áreas do couro o que pode inclusive favorecer a queda de cabelo.

A solução para isso está a nossa frente ou em qualquer salão de beleza mais próximo:

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Sim, aquele frasco de pintar o cabelo.

Deixe sempre um em seu box, quando for lavar o cabelo:

  1. coloque um dedo (no máximo!!) de shampoo nesse frasco
  2. encha até as letrinhas com agua morna do chuveiro.
  3. Agite o quanto conseguir (irá formar espuma) tampando o bico com o dedo indicador para não vazar.
  4. Aplique no cabelo com uma mão enquanto mexe para formar espuma com a outra.
  5. Enxague
  6. Repita o procedimento
  7. Lave o frasco e guarde de ponta cabeça até a próxima lavagem

Fim!

Observações

*Se formar muita espuma logo de primeira reduza a quantidade do shampoo

*Gosto de repetir a aplicação porque sinto o cabelo mais limpo e geralmente, mesmo tendo o cabelo até a cintura, um frasco desse da para lavar, enxaguar e lavar de novo.

*Não guarde o que sobrou e lave o frasco retirando a espuma, os resíduos podem formar fungos e a espuma vira uma gosma que depois cola no cabelo… enfim, use tudo e deixe o frasco de ponta cabeça até a proxima lavagem.

Espero que tenham gostado, parece trabalhoso mas garanto que é mais ráipido e bem melhor para o cabelo e para o bolso!

 

 

A arte de engolir sapos

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Com uma aparência que já causa desagrado à maioria das pessoas, os sapos, verdes e sebosos, enganam aqueles que acham que eles podem ser sempre escorregadios. Um sapo apenas escorrega garganta adentro se dominar a arte de engoli-los.

Não nos faltam chances de duelarmos com este mal amado anfíbio garganta adentro, se talvez fosse uma perereca, poderiam agradar mais a alguns.

Quando os primeiros sapos entram em nosso cardápio choramos e esperneamos, tudo parece possível, menos engolir aquele animal gosmento cheio de compridas pernas. Eles são aquela bolacha prometida  e não comprada por seu pai, aquele trabalho em grupo que só você fez, mas todos ganharam nota.

Gritamos ao mundo como aquilo é injusto talvez gritando o sapo não escorregue goela adentro.

Até que a vida adulta chega e os sapos que deve engolir afetam o rumo da sua vida, a promoção destinada aquele que só cantava e nada fazia, a ajuda sozinho aos pais idosos quando se tem irmãos, a demissão não merecida, o julgamento sem provas…

Seja então maior que seus sapos, cresça e aceite-os como se fossem um aperitivo da vida, te ensinando que nem todas as batalhas se deve vencer, mas que todas te trazem uma mudança e uma lição.

Quando aceitar os sapos em sua dieta perceberá o quanto podem ser nutritivos para a vida, te dando forças para caminhar e ver o outro lado.

O novo emprego que pode conseguir, a proximidade da família que pode ganhar, a falsidade que rondava, uma trilha nova a seguir.

Não posso dizer que será fácil, mas quem disse que era para ser?

Morte para vida

Suas gargalhadas ficaram cada vez mais raras, em seu lugar ocupavam intermináveis tosses de sufocar qualquer um que as ouvisse. Seu silencio calou sua família. Revezavam-se em turnos para esfriar com as fibras molhadas aquele pequeno corpo que um dia correra entre as ocas brincando com a energia de uma criança, animando a todos com sua inocência e curiosidade.

Não sabiam que dentro de um corpo tão pequeno havia corpos ainda menores que travavam uma batalha com inúmeros mortos tanto de aliados quanto inimigos. O que sabiam é que aos poucos os olhos brilhantes tornavam-se mais opacos, sua respiração mais pesada e sua mão não era mais capaz de erguer sozinha o chá feito para sua melhora.

O irmão mais velho era destemido, sua coragem vinha de sua paixão por saber. Sua biblioteca eram as tribos vizinhas, caminhava dias a procura de outros moradores e as vezes levava dias para conseguir se aproximar deles sem ferir suas culturas, uma lição de respeito que quase lhe custou a vida para aprender.

Sabia o que fazer e onde procurar ajuda, mas não estava certo se haveria tempo para que o socorro chegasse, aceitou arriscar nunca poder despedir-se dos grandes olhos negros de seu pequeno irmão e partiu.

Em marcha acelerada percorreu um longo caminho até uma tribo de homens e mulheres muito velhos, mas muito vigorosos. Avistou suas casas de pedra ao longe, contornadas por pequenas plantações de milho e mandioca. Ouviu também uma serie de uivos curtos, já o avistaram. Reduziu o ritmo de sua marcha, não queria ser considerado um intruso.

Chegou sob o olhar de muitos, era bastante jovem e muito viril, seus adornos muito diferentes dos utilizados na região, as mulheres o espiavam ao longe curiosas. Mas não era à procura delas que o jovem estava, não naquele momento. Pediu para falar com o pagé. Aquele lugar era para o jovem o mais exótico já visitado. Suas musicas eram doces melodias que saiam de tubos esculpidos em madeira, seus tambores eram feitos com peles de animais, seu idioma era o mais difícil até hoje por ele conhecido. Não sentia-se honrado a ponto de poder pedir ajuda a eles, mas precisava.

Explicou como pode a situação para o pagé, um senhor de cabelos brancos que andava curvado. Este compreendeu e delegou ao seu filho, um homem que poderia ser avô de nosso herói, a tarefa de acompanha-lo de volta a tribo com o remédio que poderia curar o pequeno adoecido. Preocupado com o tempo que poderiam levar para retornar em um ritmo mas lento o jovem pediu para que lhe entregassem a erva que ele mesmo a aplicaria. Mas com um sorriso compreensivo pagé-filho bagunçou o cabelo do irmão-herói, pegou algumas poucas coisas em sua casa e saiu na direção que irmão-herói veio, este apenas o seguiu. Sabia que não estava em posição de questionar, teria que acreditar que seu pequeno-irmão resistiria tempo suficiente.

Pagé-filho contudo conhecia todas as plantas da região, cantava como os pássaros, caminhava como a onça e caçava como nenhum outro animal já visto por irmão-herói. Sabia onde acampar a noite e a trilha mais plana a seguir. Chegaram mais rápido do que foi.

Quando chegaram os grandes olhos já não mais abriam, dos olhos dos pais lagrimas corriam, tristeza pelo pequeno alegria por ver vivo o grande que retornava. Mas ainda havia vida no pequeno-irmão. Ainda havia esperança.

Pagé-filho olhou para o pequeno, sua febre não o abandonou mais, a tosse intensa já cessara pela fraqueza, os lábios estavam arrocheados. Haveria tempo ainda para curar sem matar?

Aprendera de seus pais que a vida e a morte são irmãs, uma não existe sem a outra. Onde houver vida haverá morte, bem como se houver morte haverá vida.

As ervas de cura eram fortes, continham parte da morte para poder trazer de volta a vida. Teria que correr o risco, não havia outra esperança.

Enquanto macerava as folhas que trouxera lembrava das vidas que estavam depositadas naquela pasta que se formava. Cada uma se foi mostrando uma a uma, a planta correta, a dose exata, o meio preciso de se aplicar. Ainda assim, dentre milhares de plantas, como seria possível que soubessem quais poderiam usar? Sua tribo existia há varias gerações e ainda assim não pareceriam ser gerações suficientes, vidas suficientes para testar toda a infinidade de remédios que a mata lhes fornecia.

Pagé-pai certa vez contou que havia uma voz que se comunicava com ele, uma voz que conhecia toda a verdade do mundo. Pagé-filho nunca ouvira essa voz, contava aos mais novos sobre o conhecimento da voz, mas em seu interior não lhe era lógico, não acreditava nela.

Com voz ou sem voz, o remédio estava pronto e não havia tempo a perder. Ergueu a cabeça do pequeno e ofereceu uma pequena dose daquela pasta diluída em água. Ah! O pequeno ainda sabia fazer careta.

Os minutos que se seguiram foram os mais dolorosos, o pequeno tremia, virava os olhos e em convulsões. A vida e a morte estavam disputando por aquele espaço, como irmãs costumam mesmo a fazer.

O peso tomava pagé-filho, a dose teria sido maior do que a necessária para um corpo tão jovem? Era necessário acabar com o inimigo para que não voltasse mais forte, vidas partidas já lhe ensinaram isso também. Aguentou até que o pequeno-irmão acalmou, seu corpo parou de tremer, sua respiração tornou-se tranqüila.

Era a morte a vencedora?

Não. Os lábios se tornaram mais vermelhos, a febre abaixara. A dose deveria ser repetida por uma semana ao longo de todo o dia. Mas ainda havia muita vida no pequeno-irmão. Sorrisos contidos tomaram conta dos rostos da tribo. O irmão-herói se afastou para juntar a água de seus olhos a água do rio. Não queria deixar de ser visto como bravo guerreiro.

Pagé-filho sábio o seguiu.

– Olhe para mim pequeno guerreiro.

O respeito pelo pagé-filho não permitiu que seu orgulho ferido por ser chamado de pequeno, o tomasse em raiva. Levantou seu olhar como um guerreiro, ainda com olhos vermelhos.

– Por que esconde suas lagrimas?

– São minha fraqueza.

– São sua força. Um homem que não chora não é capaz de atravessar a mata para buscar ajuda e conseguir secar suas lagrimas. O homem que não chora apenas observa. Nada sente, nada busca, nada vive. Tenho orgulho do que fez pelo seu irmão.

– Um rato pode ser ágil, mas não passa de uma presa pronta para a morte.

– Rato? Não. Um filhote de onça. Volte comigo, te ensinarei a caçar. Terá em suas mãos vida e morte.

 

Nasci em uma guerra

Nasci em uma guerra, mas não sabia disso. A primeira emoção a qual fui apresentada foi a dor, chorei, mas chorar não fez passar. Me acostumei com aquela realidade. Não havia outra a ser escolhida.

Conforme caminhava no campo de batalha conheci um mundo repleto de emoções, sensações, aprendizados, os passos eram difíceis, pesados, as vezes eu caía e tinha uma mão estendida pra me erguer. Mas muitas vezes meus amigos e familiares estavam ocupados demais salvando suas próprias vidas para poderem me ajudar e eu precisava ter forças para me erguer sozinha.

Aprendi o que era a alegria, o poder de um sorriso, de uma brincadeira, de um abraço, era o que me mantinha viva porque a guerra permanecia dia a dia. O som das bombas a cada passo parecia estar mais próximo, assim como os gritos de dor e os lamentos. Meus amigos a cada dia traziam mais histórias de perdas, doenças e tragédias. Elas se aproximavam dos meus amigos, da minha família, daqueles que me ajudavam e para quem eu dava suporte no campo de batalha.

Em meio a dor e sofrimento conheci a paixão. Um sentimento mais confuso que o amor que se misturava ao medo, a tristeza, a alegria, ao ciúmes. Em sua presença eu não ouvia as explosões e os tiros, em sua ausência os sons se tornavam ensurdecedores. Pensei que não poderia ouvir os lamentos, tiros e explosões mais próximos e ainda piores até que minha paixão se aproximou. Olhou para mim e disse com naturalidade que não queria lutar ao meu lado. Sem me dar margem para argumentos ou perguntas, ele se afastou. Nunca mais o vi.

Tive vontade de correr para fugir. Meus amigos não deixaram, me seguraram, me distraíram. Reduzimos o ritmo, caminhamos com calma. Aprendi a observar a beleza da amizade, do amor, do carinho e da fé. O tempo me fez esquecer.

As perdas faziam parte do nosso cotidiano, escolher o caminho errado poderia significar morte certa. Ainda que fossemos avisados dos perigos muitas vezes arriscávamos por diversão, para desafiar quem nos desafiava naquela guerra.

Nessas brincadeiras a vi mais perto do que eu já tinha visto, um passo errado e meu amigo não mais caminhava. Eu não estava ao seu lado trilhávamos passos um pouco diferentes, não pude avisá-lo a tempo, ele foi atingido e muito antes do tempo.

Seu corpo estava no chão sem vida. Parecia que iria acordar a qualquer momento, mas eu sabia que não. Seus pais lamentavam ao seu lado, não havia palavra de consolo.

Ajudamos aqueles que o amavam a se erguerem e voltei a caminhar lentamente. Neste mundo só há uma direção a seguir. Em frente. Em direção a morte.

Descobri que a guerra estava além do visível, estava em meu corpo, uma leve fraqueza de uma brincadeira na chuva poderia me acometer a doença, milhões morreriam em meu corpo. Diariamente dentro de mim, milhares morriam para me renovar e me manter viva. Se meu corpo não fosse mais capaz de se renovar, ele morreria independente dos ataques externos.

Meus pais conforme caminhavam se curvavam, cada passo parecia lhes pesar, cada vez mais frágeis, seus corpos adoeciam, seus sentidos começaram a falhar, suas mentes os enganavam, seus passos tremiam, mais e mais, reduzi meu ritmo para acompanhá-los, até que o inevitável aconteceu, os vi cair.

Primeiro chorei ao lado daqueles que já não se moviam, queria ficar com eles por toda a vida, queria te-los ao meu lado. Procurei um abrigo em que eu pudesse me esconder da vida, chorar até que a morte me encontrasse sem que eu precisasse dar mais um passo. Mas não havia esconderijo da vida, ela estava em mim.

Por mais que eu tentasse me agarrar aquele momento, tentasse retornar para a época em que estávamos juntos, eu não conseguia voltar, ninguém que eu amava estava mais para trás, apenas à frente. Meus amigos me puxaram para que eu não parasse, para que retomássemos aquele lento e constante ritmo.

Me levantei aos poucos e retomei os passos com aqueles que ainda estavam ao meu lado. Amei, ele também. Eram sentimentos mais controláveis que a paixão devastadora que eu tivera mais jovem. Eu possuía um companheiro para trilhar comigo aqueles tortuosos caminhos, para lutar junto a mim contra o inimigo que surgisse, para me avisar das áreas de risco e velar meu sono como eu ao dele.Tive dias lindos de amor.

Foi então que aconteceu, tivemos um filho. Não soube se eu havia o presenteado ou amaldiçoado com a vida, mas eu o amava mais do que eu acreditava ser possível amar. A trilha se tornou menos árdua, era possível sorrir. Ainda que aos poucos, um a um dos meus amigos caísse. Ainda que meu grupo fosse cada vez menor. Eu o via brincar e podia me sentir em paz, a vida trazia vida.

Eu já era uma sobrevivente, mas a guerra não acabava e um dia o sorriso se foi. Um acidente me deixou só. Uma bomba inusitada nos atingiu. Não houve avisos, sinais, era para ser um dia normal, mas não foi. Não havia mais pai, não havia mais família alguma. Corri.

Corri para chegar logo ao fim, eu não queria mais estar ali, não havia mais sentido lutar esta batalha, mas eu ainda estava muito distante do fim, não conseguia me atirar à morte assim. Parei de correr. Voltei a caminhar. Olhei para a minha pele. Percebi quantos anos se passaram enquanto eu fugia da vida em busca da morte. A maioria dos meus amigos haviam ficado para trás. Escolhi me isolar quando mudei o ritmo que percorria a trilha e como sempre soube, nunca há volta. Era necessário recomeçar.

A passos lentos, lembrei daqueles que amei e que um dia estiveram comigo. Todos que conheci construíram quem eu era, eu não estava só, eram parte de mim. Relembrei dos dias que me ensinaram a olhar ao redor e ver a beleza na vida. Não na batalha, naquele campo interminável de dor, de explosões inaudíveis e devastadoras. Mas nas mãos que se estendiam para ajudar ao outro, nos sorrisos retirados da esperança, na força que surgia do companheirismo.

Fiz novos amigos, mas poucos haviam chegado tão longe. Via ainda um a um cair, cair, cair, mais outra queda.

A morte não me gerava mais desespero, era natural. Alguns não tinham mais agilidade para fugir das adversidades da guerra, outros poucos que ali chegavam caiam como os meus pais.

Eu era uma vitoriosa na vida e meu premio ainda era a morte. Quando havia apenas alguns poucos ao meu lado foi que eu a vi. Não vestia preto. Não carregava uma foice, carregava sim uma paz que eu havia visto pela última vez no sorriso de minha família. Um último tropeço me levou ao chão, mas não o senti. Abaixo de mim estava uma grama fofinha e lindos olhos receptivos.

Reconheci meu filho, meu marido, meus pais e a maioria dos meus amigos. Não havia mais bombas, tiros, não havia morte. Me levantei. Não havia mais dor. Eu sabia exatamente como ela era, sabia que era uma chaga que nunca se apagaria de minha memória. Mas não podia mais senti-la, se fora de meu corpo a confusão das escolhas, o sofrimento das perdas.

O pior sentimento que tinha eram as saudades dos amigos que ali ainda não haviam chegado, mas sabia que se lutassem até o final logo estariam conosco.

Abracei os que lá já haviam chegado. Estávamos enfim em paz. Havíamos vencido a guerra. Vivemos e morremos para termos o descanso eterno.

Humanos não tem garras

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Humanos não tem garras, não tem presas, tem pele fina e pelada, possuem uma visão de pouco alcance, ouvidos não muito eficientes, olfato apenas para o que está a poucos metros. Somos mais frágeis que os filhotes de muitos outros mamíferos.

Nossa força está no intelecto, nossa inteligência é tão voraz que desafiamos a gravidade, criamos as mais belas músicas! Mas também desafiamos a criação, a natureza do equilíbrio do local onde vivemos, nós quebramos ciclos.

Sem as presas de um tigre e sem força de um elefante um único humano, armado de sua cultura é capaz de matar muito mais que qualquer predador conhecido.

Enquanto a estrutura frágil humana parece dizer:  era para haver paz.

Ainda que não em total comunhão com a criação, impossível quando dependemos de outras vidas para nos servir de alimento e para vivermos. Nossa natureza, nossa estrutura nos diz a cada dia como não é necessário violência, força física para prosperar.

A sabedoria da criação presente em nossos corpos lamentavelmente é ignorada pela ganância tão humana criada por nós em nossas mentes.

A violência vem a nós em desastres, tragédias, guerras, sofrimento, vistos através de grandes criações tecnológicas, quando a mais bela de todas é ignorada. Nossa própria criação. A vida.

Surdez da multidão

Se eu for dar uma palestra com um grande publico e convidar a todos para saírem da sala, para ir a um ambiente externo. Todos irão ouvir de primeira?

Provavelmente não.

Todos vão serão como surdos.

É essa a mesma surdez que existe quando estamos sempre em grupos, manadas: temos comportamento de bando.

Ficamos surdos ao que nos dizem, ao que nós mesmos dizemos, porque estamos acompanhados e confiamos que estamos seguros.

Mas e se fossemos para um lugar com menos pessoas, com maior proximidade, todos poderiam se ouvir não?

Esse é o problema dos grandes centros urbanos, das grandes coorporações e dos grandes eventos. Comunicação.

Ainda que pareça que nada tenha a ver com nada, tudo está interligado pelo menos motivo:

Quando há muitas pessoas, muitas bocas e mais ouvidos ainda essa soma gera uma total falta de comunicação.

Claro que um microfone/alto-falante poderia resolver a nossa situação da palestra, bem como a organização e tecnologia poderia resolver o problema das cidades e grandes empresas.

Mas é mais agradável ouvir a voz da pessoa e poder responder a ela ou ouvir apenas seu grito, suas palavras unidirecionalmente?

Sentimentos como estresse de um som acima do que gostaria, da impessoalidade, de uma voz unilateral. Surgem.

Se há uma pergunta para o motivo do estresse e caos urbano, creio que esta seja uma resposta.

Trabalhos Acadêmicos e a Página em Branco: Como começar?


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Quem está na faculdade e tem que fazer trabalhos de final de semestre, com aquela estruturinha de artigo acadêmico, conhece a sensação desesperadora da página em branco.

Alguns escrevem e apagam títulos para um trabalho ainda não concluído, outros tentam começar pelos objetivos do trabalho, mas não se sabe de onde eles vem, outros vão para o referencial teórico, mas não sabem qual o problema para fundamentar.

Isso quando conseguimos começar a escrever algo de fato.

Já sofri muito desse mal e ainda sofro,  o que costuma a ajudar é usar a técnica do esquema, que além de orientar o que escrever como se fosse uma ficha de cadastro de informações, servirá para que seu texto não se torne uma sopa de letrinhas.

 

O esquema padrão de um trabalho acadêmico é:

Introdução

                Justificativa

                Problema de pesquisa

                Objetivos de pesquisa

Referencial Teórico

Metodologia

Cronograma

Resultados

Perspectivas Futuras

Conclusão

Referências Bibliográficas

 

Isso ocupa meia página quase e já ajuda um pouco a te orientar, bem como supre o pavor da “página em branco”, contudo… isso não supre o pavor do “tópico em branco”.

Quando não se está muito acostumado ou estamos com um tema difícil é complicado definir o que escrever em cada tópico e como organiza-lo, por isso achei melhor dar uma melhorada na coisa:

 

Introdução

                Justificativa

                             – Importância para sua área da pesquisa

                              – Importância prática/social da sua pesquisa

                Problema de pesquisa

                Objetivos de pesquisa

(obs: geralmente o problema vem antes da justificativa, coloco nessa ordem para que seja feito um desencadeamento lógico até se chegar ao problema em questão, para mim fica mais encaixadinho tudo)

 

Referencial Teórico

                Seu tema principal

                                – Histórico

                                – Situação atual

                                – Situação problema

                Seu tema secundário

                                – Histórico

                                – Situação atual

                                – Situação problema

                 Como esses temas se relacionam

– Qual o marco teórico ( algum autor ou autores que falam de ambos os temas ou que falam coisas que permite interrelacioná-los)

– Enfoque da sua abordagem ( qual a corrente teórica que vai seguir, aqui é o espaço de citar os autores que acha pertinente ao problema de pesquisa)

 

Metodologia

                Teoria da Metodologia

                – Falar um pouco das opções de metodologia que você possui:

                                – Pesquisa quantitativa, qualitativa ou quali-quanti (suoerficialmente)

                                – Natureza da pesquisa ( focar um pouco mais)

– Procedimento de pesquisa( definir e demonstrar as possibilidades existentes para o seu tipo de pesquisa de forma mais detalhada)

– Qual a metodologia no seu trabalho dentro desse horizonte

– Abordagem metodológica (quantitativa, qualitativa ou quali-quanti, explicar um pouco o que é a que escolheu)

– Natureza da Pesquisa (empírica, bibliográfica, autobiográfica)

– Procedimento de Pesquisa (indicar se será e justificar etnográfica, laboratorial, experimental, pesquisa ação, história oral, bibliográfica, documental, estudo de caso, estado da arte ou pesquisa da própria prática)

– Descrever o procedimento de pesquisa detalhadamente (neste caso cada caso será um caso)

 

Cronograma (se for o caso)

Resultados ( Finais ou esperados)

Perspectivas 

– Tópicos não abordados mas que precisam ser explorados, dificuldades que precisam ser reanalisadas, pontos confusos

Conclusão

Referências Bibliográficas

 

Pronto! Seguindo esse modelo, já terá uma página e pouco escrita e estará muito mais próximo de concluir o trabalho!  \o/

Claro que cada trabalho vai ter sua particularidade e com o tempo recomendo adaptar esse modelo para a sua área de estudo, por enquanto, espero que ajude.