Ode aos olhos escuros

Dizem que os olhos são o espelho da alma.

Cantam-se as cores destes magníficos espelhos, azuis, verdes, mel, em elegantes cavaleiros sobre cavalos brancos e em princesas guerreiras ou indefesas.

Esquecidos ficam os espelhos com a cor da noite. Quando lembrados reservam-se a eles os olhos dos vilões, da maldade.

Por muitos anos, como muitos, desejei ter os puros olhos azuis.

Mas os anos me ensinaram que sua pureza está na sua transparência e sem nenhum remorso suas pupilas delatam seus donos e demonstram, o amor, o medo, a paz, a raiva.

Meus olhos tem mistérios, que só se revelam quando desejo. Além de fiel amigo, ele não reflete a alma, mas permite que um bom observador veja aquilo que observa, refletindo o mundo como um espelho.

Tenho em meus olhos o mundo, meu encanto.

Talvez não sejam o espelho da alma, mas trazem em si o enigma da esfinge: Decifra-me ou devoro-te.

E se em algum dia você, com seus olhos de jabuticaba, ainda desejar ter olhos claros, encontre o único capaz de desafiar seu mistério, o Sol. Respeite-o, nunca olhe diretamente, mas permita que ele revele a força de sua alma. Verá um espelho vermelho e intenso tal qual aquele que o revelou.

olhos

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