Grupos: Ovelhas negras ou patinhos feios?

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Desde a nossa infância somos orientados a termos grupos de amigos, eles vão nos proteger nas brigas, vão formar o time de futebol, vão acobertar os pequenos delitos.

Através de grupos nos protegemos, através de grupos atacamos.

Com o tempo, ter um grupo se torna mais do que apenas proteção, mas status. É necessário ser de um grupo, religioso, politico, cultural, social. Uma pessoa com vários grupos de amigos é bem vista, se torna alguém “desejado pela sociedade”, suas publicações nas redes são sempre em festas, bares, churrascos e são freqüentes, o que a torna ainda mais popular.

Estar sozinho é ser a ovelha negra, aquela que se desgarra do bando por ser diferente, aquele que se sente excluído, que quer partilhar ideias das quais ninguém partilha, é sair com um amigo e correr o risco de em algum momento ouvir aquele silêncio desconfortante em que ninguém sabe o que dizer. É ter tempo para poder ver no olhar do seu amigo que ele não está bem e saber que apenas você pode fazer algo para ajudá-lo.

Mas questiono, isso pode ser desconcertante se ainda temos medo, mas é tão ruim?

Quando estamos a sós com um amigo podemos falar dos nossos sentimentos mais profundos sem interrupções, sem segundas, terceiras e quartas opiniões. Você tem apenas os sinais do seu amigo para ler e sabemos, que a comunicação entre humanos está muito além das palavras, compreende-lo então se torna mais fácil. E então quando o silêncio surge em sua conversa ele se torna uma palavra de amor que diz “sua presença basta para me fazer bem”.

O silêncio no entanto que mais desconforta é aquele que temos quando estamos de fato sozinhos, quando conquistamos algo ou perdemos algo e queremos dividir com alguém, olhamos em volta e estão todos ocupados com seus afazeres.

Esse silêncio machuca e nos diz uma infinidade de coisas, todas negativas: você está sozinho, não é amado, é estranho, ninguém quer ouvir você.

A solução desta questão está na identidade e segurança. Se você conseguir se identificar e assim ter segurança de quem é terá a mente livre para a criatividade, para ser diferente sem medo de se sentir sozinho.

Somos seres sociais, não vou negar, mas precisamos antes de sermos sociais, apenas sermos.

A aceitação dos outros vai trazer alegria, mas sentirá um vazio assim que a platéia se afastar e você sentir que está só novamente. 

Talvez enchendo sua vida de afazeres não sinta esse vazio, mas prefiro apostar em um mundo de pessoas solitárias que sabem se relacionar em sociedade. Neste mundo haverá espaço para a criatividade sem críticas, para se sonhar, cientistas malucos serão apenas cientistas, os diferentes não serão excluídos eles farão a diferença, poderão expor suas ideias que serão apenas ideias não “maluquices”.

Acredito que muitos solitários são patinhos feios, se vêem diferentes dos demais e querem pertencer a um grupo, quando na verdade são lindos cisnes, quando tiverem sua própria segurança e suas asas puderem sustentá-los serão livres para voar para onde quiserem, seus pensamentos poderão fluir com o vento, se unir a outros pensamentos livres e construir um mundo menos superficial e inseguro.

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